quinta-feira, 9 de outubro de 2008

- Alô. A voz que vos fala é aquela que te fez jurar nunca mais sorrir novamente ao ver o sol pela janela. Eu sei que ouvir a minha respiração entre as frases que pronuncio te faz desejar a morte de tudo aquilo que possa ser considerado minimamente sensato, mas nós não estamos mais suficientemente vivos para falar de sensatez. De fato, é num ato imprudente que ligo, para falar sobre sentimentos que consideramos mortos, ou consideramos eternos, ou desconsideramos quando deveríamos ter nos apagado. Aquilo que um dia não chamei de nada, e você chamou de mentira, aquilo que me fez dilacerar e te fez desistir, aquilo que deixou de ser em seu momento máximo, é o que nos impulsionou até aqui, e o que destrói todas as camadas de incoerência e desacato. Destitui-me de meus bens espirituais, pela descrença eterna de algo que fosse tão sublime, pelo pesar indescritível do que tornou-se o que eu acreditava. Agora, nessas palavras, eu descarrego uma vida de frustrações, e meus dedos, ao discarem para esse número há tanto esquecido, justificam-se em movimentos automáticos e desesperadamente frenéticos, e quanto à mim, ao ouvir a saudação trêmula de alguém que claramente não se ergueu mais, desabafo em toda a mágoa que deixei explodir dentro de mim.
Agora, desapareço. Na margem opaca, em outro viés, pelos beirais, desapareço, num súbito suspiro, numa volúpia mórbida, na extrema falta de vontade de você, mas com uma necessidade além do meu querer. Espero que você esteja bem. Ou não.

3 comentários:

d. disse...

Mas o desespero sempre se sobressai á indiferença. Ou não.

Vanessa Benke disse...

wow! Estou atônita! Bom... muito bom!!!

Bruna Rasmussen disse...

FODA!